Aconteceu nos dias 29 e 30 de novembro de 2016, em Dom Pedro Alcantara, litoral norte do Rio Grande do Sul o Encontro Mulheres e SPGs: Construindo Processos, Garantindo Participação e Protagonismo, com objetivo de discutir a participação das mulheres junto aos Sistemas Participativos de Garantia (SPG), como os OPACS (Organismos Participativos de Avaliação da Conformidade organica) e OCS (Organismos de Controle Social).

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Com uma metodologia dinâmica, diversas mulheres agricultoras e técnicas puderam trocar experiências e pensar em estratégias para a melhor inclusão do trabalho feminino juntos aos seus respectivos SPGs. Estiveram representados as OPACS: Rede Ecovida (considerando os três estados do sul do Brasil), ABIO – RJ, ANC- SP, Orgânicos Sul de Minas e Rede Brota Cerrado – MG, Rede Xique-Xique- RN; as OCS: Ecoborborema – PB, SOF – SP, além da Red de Agroecologia do Uruguai, o Centro Ecológico – RS, o Instituto Federal Sul de Minas.

O encontro permitiu a reflexão de que no conceito de Agroecologia (indo além da questão ecológica e econômica, considerando-a como um movimento social), não se pode excluir ou menosprezar o trabalho da mulher, e sim, valoriza-la.

mulheres2 mulheresSPG2 mulheresSPG Identifica-se que muitas vezes a mulher está ajudando o marido na roça e ainda tem comida pra fazer, casa e filhos pra cuidar, e dessa forma passa completamente desapercebido sua dedicação. Acaba não conseguindo se envolver diretamente no processo da certificação participativa, nas visitas e nas discussões como um todo. Muitas vezes ainda sofre de violência moral ou física, o que faz com que automaticamente se sinta desestimulada de assumir determinadas funções que, de antemão poderiam ser divididas.

O encontro buscou olhar para que os espaços onde se discutem os sistemas orgânicos de maneira participativa, como os SPGs, possam estimular e favorecer o olhar feminino, assim como o envolvimento da mulher (não só como aquela que prepara o lanchinho para os produtores que vem realizar a visita), apesar das dificuldades que muitas agricultoras enfrentam diariamente. Foram trocas ricas, entre culturas diferentes, mas que fizeram com que as mulheres que ali estavam olhassem de maneira mais atenta para a importância do saber feminino junto aos processos de verificação da conformidade dos sistemas ecológicos de produção.

Dessa forma, foram encaminhados alguns apontamentos, como a organização de eventos específicos e inclusão de algumas pautas nos planos e roteiros de visitas. Espera-se, assim, que o olhar feminino possa ser incorporado em todos os Sistemas Participativos Garantia, de maneira a contribuir com o processo de credibilidade e confiança como um todo.

Veja abaixo o Relatório do evento:  Relatório do evento

Maria Elisa com Zuben Tassi

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Mulheres e Sistemas Participativos de Garantia