Aconteceu no dia 8 de maio, em Socorro o Encontro entre os processadores de alimentos orgânicos, vinculados ao Sistema Participativo de Garantia- SPG da Associação de Agricultura Natural de Campinas e região. Foram mais de 25 participantes. Pela manhã aconteceu uma palestra com representantes da vigilância Sanitária do município e depois uma explanação sobre os processos do SPG, bem como separação de produtos, registros e visitas.

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Na parte da tarde o grupo acompanhou uma visita de verificação, coordenada por Polyana Vilas Boas (Atelie Polyana) na cozinha de Roseli Lopes (Visão Orgânica), que processa pães e outros alimentos há mais de 20 anos e comercializa quase tudo nas feiras do Parque da Agua Branca, em São Paulo

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Alguns pontos importantes que foram citados durante o treinamento:

-a importância de todos os processadores fazer um curso de Boas práticas e de passarem os conhecimentos aprendidos aos funcionários

-Não utilizar utensílios de madeira, pois deixam resíduos

-os alimentos devem ficar devidamente separados, com tampas (mesmo que todos sejam orgânicos, pois existem diferentes processos de maturação e contaminação cruzada)

-as abelhas, assim como as moscas, também podem contaminar, pois elas também sentam em lixos, etc.

-os lixos devem ter pedal, para que não se coloque a mão nas tampas

-no armazenamento das matérias primas deve-se usar preferencialmente palets de plástico (ou madeira pintada com tinta a óleo) e estes devem ficar um pouco longe das paredes

-os animais domésticos devem ficar afastados do estabelecimento, no mínimo 100 metros

-o manipulador de alimentos deve, pelo menos, utilizar touca e sempre higienizar as mãos, e estar com calçados limpos.  Não é exigido o uso de luvas. As máscaras possuem curto período de duração (30’) então devem ser constantemente trocadas, quando utilizadas. Os uniformes devem ser de cor clara com alguma manga

-os manipuladores devem passar por exames médicos anuais. Devem se atentar para a saúde dos mesmos (se não estiverem bem – vômito, diarreia – não devem trabalhar

-todas as feiras deveriam ter álcool gel 70% disponível e sempre que o feirante meche com dinheiro ele deve utilizar o álcool

-as cozinhas devem possuir um layout adequado para um fluxo linear de manipulação dos alimentos, sem cruzamento de atividades, havendo a porta que entram os produtos e a porta em que eles saem.

-os alimentos devem ser manipulados um de cada vez, por exemplo – pega a couve, limpa, pica, separa, depois pega outro produto, e no final higieniza tudo. Deve haver um cronograma de trabalho do dia!

-para desinfecção o principal é o hipoclorito (texaclor) – 2 gotas/litro, imergir por 20′ ou 30′ e depois enxaguar. Ele deve ser usado corretamente, pois com dose errada ele também é um “veneno”. Outra opção é a água oxigenada.  Além desses, o uso de detergentes incolores, bucha e água são suficientes para a higienização de tudo.

-Houve uma discussão sobre a água clorada, onde hoje já existem cloradores que ficam diretos nos poços. E também sobre fazer o monitoramento do cloro com medidores de piscina. Foi discutido por alguns processadores sobre a questão da água utilizada ser pura e ainda sim terem que clorar, e isso prejudicar a produção dos pães, e no caso a vigilância de Socorro, mediante um estudo que foi apresentado, permitiu que não fosse feita a tal cloragem na água.

-Os produtos de limpeza todos devem ter rótulos identificando corretamente seus registros e origem. Não podem ser produtos clandestinos.

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-As embalagens (de farinha, por exemplo) não devem ter furos

-Para o transporte tanto a temperatura como o correto acondicionamento devem ser observados. Teoricamente deve-se ter um carro específico para transportar os produtos processados. Se não for possível, acondicionar os produtos em caixas plásticas (ou térmicas) e também usar palets na carroceria.

-Os alimentos devem ser organizados de acordo com as datas de validade – o primeiro que vence é o primeiro que sai da geladeira ou estoque

-conforme a legislação, deve ser realizada dedetização/ desinfecção de todos os estabelecimentos anualmente. Tal dedetizadora deve ter um certificado da vigilancia. O produtor orgânico deve se atentar para tal procedimento, qual empresa e quais produtos são utilizados e deve exigir o Laudo da inspeção realizada. O produto Dalneem é uma opção para tal procedimento, nas áreas internas.

-Os rótulos também devem estar coerentes e com os dados da certificação da vigilancia (CEVs), além das demais informações. Rótulos menores de 10 cm não precisam constar as informações nutricionais

-Todos devem ter o POPs (Procedimentos Operacionais Padrão), onde são descritos como é feita a separação (estoque) e identificação dos produtos, além de um croqui da unidade (com fluxograma)

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Acesse aqui a apresentação sobre produtos processados e o Sistema Participativo de Garantia

E aqui segue toda a LEGISLAÇÃO pertinente para o setor:

 

Abaixo, foto de alguns produtos orgânicos processados pelos produtores da ANC, e que participaram no dia:

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Legislação e prática em Processamento de Alimentos